10 ideias para MUDAR o basquetebol português

Dentro de dias inicia-se a Festa do Basquetebol Juvenil 2017, que reúne em Albufeira milhares de cidadãos unidos por um denominador comum: o amor ao basquetebol. Sejam atletas, treinadores, pais, árbitros, dirigentes, amigos, adeptos ou meros curiosos, todos rumam a Sul para um dos momentos mais altos da época desportiva.
Aproveitando esta concentração de massa crítica diversa, pensei em fomentar a partilha de experiências e a saudável troca de ideias entre todos os agentes que promovem esta modalidade que abracei há três décadas. Um momento de inscrição, coragem e pragmatismo, tal como a realidade actual do jogo que amamos nos exige que tenhamos todos a capacidade de fazer.
Sabendo que a MUDANÇA deve concentrar toda a sua energia na CONSTRUÇÃO DO NOVO, ao invés de batalhar o antigo e obsoleto, aqui fica a minha humilde contribuição. São 10 IDEIAS simples, todas seguidas do melhor exemplo que tenho para oferecer: mais do que raciocinar, questionar, investigar, escrever e falar, devemos ter a CORAGEM DE FAZER.
1. Desenvolvimento do Atleta a Longo Prazo (LTAD): Há 22 anos, no Canadá, o LTAD era apresentado pela primeira vez por Balyi e Hamilton. Vinte e dois anos decorridos, é estranho que este modelo não seja totalmente conhecido, dominado e aplicado pelos treinadores, dirigentes e pais de basquetebolistas no nosso País. Para saber mais sobre o LTAD, clica AQUIO que já fiz? Para além da aplicação, divulgação, promoção e partilha deste modelo canadiano de desenvolvimento de atletas, o primeiro passo para a sua efectiva implementação por cá foi dado há 4 anos, quando criámos a fase “Active for Life” no basquetebol português através do escalão Master: http://bit.ly/2o1rVn4
2. Ler e Reagir: O modelo “Read & React” de Rick Torbett é aquele que acredito ser o mais adequado para ensinar os nossos jovens a perceber e executar o jogo no ataque. O que já fiz? Aplico, divulgo, promovo e partilho este modelo de construção ofensiva do jogo. Se não conheces o “Read and React” espreita AQUI.
3. Museu do Basquetebol e Hall of Fame: Um desporto sem memória é um desporto sem futuro. O que já fiz? Sugeri a criação de um Museu do Basquetebol e de um “Hall of Fame”. Fui ainda mais longe e propus os nomes dos primeiros distinguidos com a honra de inaugurarem este nosso “Hall of Fame”. Se tiveres curiosidade em saber quem são eles, espreita AQUI.
4. Campeonatos com FADU: Em 2013 havia 119 equipas de sub18 e apenas 37 de sub20. Entre estes 2 escalões desapareciam 82 equipas!!! O desafio, tal como agora, era o de manter os jovens destes escalões pré-seniores na prática do basquetebol. A FPB achou que o conseguiria… abolindo o escalão de sub20. O que já fiz? Na altura sugeri um caminho alternativo no qual continuo a acreditar firmemente e que podem consultar AQUI.
5. Intercâmbio de Estudantes-Atletas: O basquetebol universitário é o final do percurso desportivo escolar. Este assume uma importância extrema em algumas zonas, com destaque natural para os EUA. Parece-me extremamente positiva a criação de protocolos que permitam que os jovens com talento e boas notas possam ser ajudados na realização dos seus sonhos de terminar o seu desporto escolar junto dos melhores. O que já fiz? Actualmente sou responsável em Portugal Continental por identificar jovens atletas-estudantes que desejem obter uma bolsa de estudo para prosseguir os seus estudos numa de 300 universidades americanas. Se tiveres curiosidade, espreita AQUI
6. Fim IMEDIATO da Discriminação de Cidadãos Europeus: Facto: o jogador e a jogadora portugueses não são jogadorzinhos! Não precisam, como nunca precisaram nem precisarão, de qualquer protecção(zinha) artificial, danosa e paternalista! Faz algum sentido que um cidadão europeu não português pague, em pleno ano de 2017, OITO!!! vezes mais do que um português para jogar na mesma equipa deste na divisão mais baixa do nosso basquetebol senior? O que já fiz? Numa luta desigual, que dura há cerca de uma década, conseguimos que a FPB alterasse os seus regulamentos em 2011. Pouco, muito pouco face à extrema gravidade da situação. Se queres saber mais sobre a luta em curso contra a discriminação no basquetebol português, espreita AQUI.
7. Regresso da Liga Profissional: a modalidade que foi pioneira do profissionalismo em Portugal deambula agora entre várias tentativas falhadas de valorização do seu produto. É urgente mudar para colmatar este enorme vazio e garantir a sobrevivência e a independência dos clubes que o sustentam. O que já fiz? Fui pioneiro do profissionalismo em Portugal naquele que foi o momento mais alto da história da nossa modalidade e que é, a todos os níveis, repetível e melhorável. Se queres saber mais, espreita AQUI.
8. Associação de Jogadores: Sabias que na NBA há uma Associação de Jogadores?Sabias que essa Associação defende os interesses dos maiores protagonistas do jogo, os seus atletas? Sabias que essa Associação é liderada pelo CP3 (Chris Paul) e pelo Rei (LeBron James)? Gostas de copiar as jogadas dos craques? Achas que és capaz de copiar esta? O basquetebol português agradece-te! O que já fiz? A criação recente da fase “Active for Life” permite ao basquetebol português ter centenas de novos atletas. São atletas que têm já as suas famílias, os seus empregos e a sua responsabilidade social. Será, naturalmente, deste novo grupo de atletas que provavelmente surgirá uma nova liderança que defenda e conduza os basquetebolistas portugueses como sucede em realidades mais evoluídas. Se tens curiosidade sobre o que pode e deve fazer uma Associação de Jogadores, espreita AQUI.
9. Basquetebol com Público!: Os pavilhões onde se joga basquetebol senior estão hoje vazios em Portugal. Ao invés, tal como teremos oportunidade de constatar em Albufeira, os jogos de formação têm os pavilhões lotados. Muitos jogos de Masters também. Isto mostra que há público e que este prefere ir ver os seus pequenitos ou os mais velhotes do que o espectáculo competitivo dos seniores. Em conclusão, não há qualquer compromisso emocional com o jogo que se pratica nas divisões da elite do nosso desporto. O que já fiz? A este respeito o melhor que podemos hoje fazer é ajudar a criar contextos de superação permanente. Há quem tenha estudado, investigado, testado e concluído que há caminhos diferentes dos actuais que podem ser experimentados. A título de exemplo, aqui ficam algumas medidas que podem ser implementadas para devolver o jogo ao público que o ama: http://bit.ly/2nz7UkF
10. Treino Mental: Este é o aspecto mais negligenciado da preparação dos nossos jovens. Este é o aspecto que nos faz dominar a cauda da Europa basquetebolista. Este é o aspecto que a esmagadora maioria dos agentes atribui aos genes, à sorte, ao destino ou a Deus. O que já fiz? O Projecto “Muda O Teu Jogo” é destinado a Treinadores, Atletas, Pais, Dirigentes e Árbitros. Se queres saber mais, espreita AQUIhttp://www.mudaoteujogo.com/
O novo seleccionador nacional de seniores masculinos, o Prof. Mário Gomes, referiu recentemente que “falta ao basquetebol português a coragem para mudar”… Não posso concordar com ele. O que me parece é que a nossa modalidade insiste em colocar seguidores nos lugares que deveriam ser ocupados por líderes. Esse parece-me mesmo ser o principal problema actual do basquetebol português.
Este texto serve também para alertar para a mudança que, há muito, está em curso. Ela é inevitável e só não a vê quem andar mais distraído. Contudo, apesar de estar em andamento, ainda há “tudo” por fazer e todos seremos poucos para ajudar à mudança efectiva por que ansiamos.
Já dizia Peter Benenson (fundador da Amnistia Internacional) que “mais vale acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão”. Estas são as minhas 10 velas, todas já acesas para ajudar a alumiar este nosso caminho comum.
Boa Festa do Basquetebol Juvenil!!!

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